Senadores

“Não pretendo nesta histórica sessão moderar a linguagem ou asfixiar o que penso. Não vou reprimir a indignação que me consome: CANALHA, CANALHA, CANALHA.

Assim, Tancredo Neves apostrofou Moura Andrade que declarou vaga a Presidência com Jango ainda em território nacional, consumando assim o golpe de 64.

Duvido que um só de nós esteja convencido de que a presidente Dilma deve ser impedida por ter cometido crimes; não são as pedaladas ou a tal irresponsabilidade fiscal que as comungam. O próprio relator da peça acusatória praticou-as à larga, só que lá, em Minas, não havia um providencial e desfrutável Eduardo Cunha e nem um centrão querendo sangue, salivando por sinecuras e pixulecos.”

Esse introito do discurso do senador Roberto Requião (PMDB) proferido na última terça-feira no Senado Federal dimensiona bem o tamanho do golpe que, dia seguinte, lá seria consumado contra a democracia. Contra a democracia sim senhor posto que a soberania do voto mais uma vez não foi respeitada.

Não se trata de concordar com o governo Dilma, em absoluto. Longe disso. Para maus governos o remédio são as urnas, não o golpe! Não se mata um boi porque ele tem carrapatos. Mata-se os carrapatos!

Mas no afã de vingar-se das urnas que pela quarta vez consecutiva lhe dizia não, o PSDB pediu recontagem e perdeu. Pediu auditagem nas urnas e novamente perdeu. Sem mais recursos a reclamar e impaciente para aguardar um novo veredicto popular, os tucanos aliam-se ao sempre interesseiro PMDB para, com maioria eventual criada sob bases pouco ou nada republicanas, consumar a deposição de alguém eleito pelo voto direto, secreto e universal de 54 milhões, 501 mil, 118 votos.

Votos que foram desconsiderados, invalidados, rejeitados e substituídos pela vontade de senadores. Não mais a vontade de 54 milhões de brasileiros, mas tão somente a vontade de 54 senadores.

Vocês entram na história pela porta dos fundos.

CANALHAS!