Ordem do Dia Plenário Ulysses Guimarães Foto: Leonardo Prado 6/7/2011

O dia 29 de novembro de 2016 poderia não ter existido. O dia que começou com a notícia da tragédia com o time da Chapecoense que comoveu o mundo, ainda teve a liberação do aborto até o terceiro mês de gestação pelo STF, a aprovação da “PEC da Maldade” no Senado, antes de ‘gran finale’ já na madrugada desta quarta-feira, 30, com a aberração cometida pela Câmara dos Deputados com as 10 medidas contra corrupção, que acabou sendo transformado no AI-5 do Crime Organizado.

Quem teve o desprazer de ficar até a madrugada (como eu) assistindo aquele show de horrores no Congresso Nacional viu a união dos canalhas de todos os partidos no que pode ser chamado de abertura de caminho para “estancar a sangria” da Lava Jato.

Das 10 medidas apresentados no projeto de lei capitaneado pelo Ministério Público Federal e que teve o apoio (assinaturas) de mais de 2 milhões de brasileiros, apenas duas permaneceram. A criminalização ao Caixa 2, que era justamente a primeira que os ‘nobres’ deputados queriam alterar, mas recuaram diante a repercussão negativa, e o artigo que exige que os Tribunais de Justiça e o Ministério Público divulguem informações sobre o tempo de tramitação de processos e justifiquem a demora.

Como alertou o relator do projeto, o deputado Onix Lorenzoni (DEM-RS), após as falas dos presidentes da República, do Senado e da Câmara, que não aceitaram a anistia ao Caixa 2, coisa pior estaria sendo tramada nos gabinetes e corredores do Congresso Nacional, o resultado da votação mostrou que realmente a vingança “dos picaretas com anel de doutor” foi um soco no estomago de quem luta contra a corrupção desenfreada no Brasil.

Onix alertava para as aberrações que foram aprovadas ontem como forma de destaque e repito com o apoio e voto de canalhas do PT, PMDB, PP, PCdoB, PSOL …, cada um defendendo seus bandidos de estimação.

Por incrível que pareça, num projeto que foi gestado para inibir e punir corrupção com mais rigor, a Câmara aprovou, por exemplo, que os criminosos não terão de devolver a fortuna acumulada com propinas; que o tempo de prescrição continuará com o réu foragido; que os partidos não poderão ser punidos pelos roubos, além do crime de responsabilidade para juízes e procuradores, esse direcionado especificamente contra a Operação Lava Jato. “É preciso estancar a sangria”, lembram?

Na calada da noite e num clima de comoção no país com uma tragédia, a Câmara dos Deputados cuspiu na cara de todos os brasileiros honestos.

É preciso reagir.

 

 

* Marcos Wéric – Jornalista