• FLÁVIO LÚCIO RIBEIRO

 

Desde que o prefeito Luciano Cartaxo anunciou que não será mais candidato ao governo do estado, o nome do deputado federal Pedro Cunha Lima tem sido lembrado por jornalistas paraibanos como um dos possíveis nomes a ocupar o posto de “candidato da oposição”.

É bom que ninguém se admire com mais esse jabuti bem acomodado no galho de árvore tão frondosa. O jabuti tem dono e não está lá por acaso ou vontade própria.

Na mesma linha, no final de semana passado, o site Polêmica Paraíba lançou uma enquete para saber dos internautas quem seria o melhor candidato para “unir as oposições”.

O resultado acabou por encher ainda mais o balão de ensaio de Pedro Cunha Lima. José Maranhão foi o preferido, mas por margem bastante apertada (35% dos votos).

A surpresa foi Pedro Cunha Lima, que ficou em segundo com 29% das preferências, deixando para trás o pai, Cássio Cunha Lima, que pontuou 15%, e o primo, Romero Rodrigues, que obteve 21% − só para não esquecer, há meses Romero é o pré-candidato oficial do PSDB ao governo do estado.

O resultado, claro, não parece ser fruto do acaso ou da fulgurante ascensão política de Pedro Cunha Lima, que não só é menos conhecido, como seu nome ainda circula em meios ainda restritos como candidato a governador.

Ontem (12/03), o balão de Pedro continuou a ser inflado. Em nota com ares de ter sido plantada para gerar efeitos especulativos, o jornalista Gabriel Mascarenhas, da coluna Radar, da Veja on-line, reforçou a tese da possível candidatura do herdeiro dos Cunha Lima.

Mascarenhasnão esqueceu de adicionar o seguinte: caso Pedro venha realmente a assumir a candidatura, isso implicará na desistência do atual senador Cássio Cunha Lima de disputar a reeleição, tida pelo jornalista da moribunda Veja como “razoavelmente tranquila” − acho que ele precisa visitar a Paraíba.

Ainda segundo o jornalista da moribunda Veja, caso a candidatura de Pedro Cunha Lima se concretize, “Cássio precisará contentar-se com voos mais modestos, em outras palavras, abrir mão do Senado e concorrer a uma vaga na Câmara”.

Mascarenhas lembrou − ou foi lembrado − que, nesse caso, Cássio repetirá “o gesto de seu pai [Ronaldo Cunha Lima], que se elegeu deputado, em vez de senador, para que o filho governasse a Paraíba, em 2003.”

Ah, como é doce a vida dos herdeiros políticos da oligarquia! Estreiam na política se elegendo diretamente para o parlamento nacional e, nem bem quebram a casca do ovo, já planejam voos mais altos.

DERROTA À VISTA?

Vamos fazer algumas considerações sobre o “Plano P” (e Pedro), como nominou o jornalista Heron Cid. Pode ser uma estratégia que pode atender, por enquanto, a dois objetivos, que se entrelaçam: projetar o nome de Pedro para atuais e futuros embates, e com isso, tirar o nome de Cássio da linha de frente, resguardando-o momentaneamente, pelo menos até que o cenário fique mais claro, sobretudo após a definição a respeito da permanência ou não de Ricardo Coutinho no cargo.

Mas, essa questão tem mais injunções. Em primeiro lugar, a “lembrança” do herdeiro dos Cunha Lima, antes mesmo de Romero Rodrigues anunciar sua posição sobre se disputa ou não o governo, indica que a candidatura do prefeito de Campina Grande nunca foi levada à serio por Cássio e família.

Ora, não deixaram nem sequer esfriar o corpo da candidatura de Luciano Cartaxo, cozida por meses em fogo brando, para que um Cunha Lima da gema entrasse em cena para segurar a vaga.

Tudo bem que Romero Rodrigues nunca foi candidato pra valer, mas, trata-se hoje de uma das maiores lideranças do PSDB, rivalizando com Cássio Cunha Lima, uma estrela cadente nos céus da política paraibana, e por isso mereceria um tratamento mais à altura de seu tamanho.

E aí entra um aspecto que não pode ser desconsiderado. A candidatura de Pedro Cunha Lima, caso de efetive, seria uma aposta, claro, mas poderá ser lida como a entrega dos pontos da “oposição” nas disputas de 2018, principalmente se Luciano Cartaxo fizer uma composição com o PSB, indicando o irmão Lucélio para vice.

Nesse caso, a situação de Cássio se tornaria desesperadora e a candidatura de Pedro seria a justificativa para a desistência da disputa de uma das vagas para o Senado, uma saída honrosa que salvaguardaria um mandato para Cássio, mas também abriria caminho para projetar Pedro com o objetivo de tornar sua candidatura irreversível para PMCG, isolando as pretensões de Romero Rodrigues de indicar seu sucessor.

 

  • Cientista Político