Após 30 dias alojadas na Praça da Juventude, no Bairro das Indústrias, as mais de 200 famílias despejadas do Residencial Vista Verde I e II continuam passando por situação desumana. São crianças, homens e mulheres de todas as faixas etárias que vivem debaixo de lençóis, que passam frio e dependem de doações para conseguirem o que comer. Enquanto isso, a gestão do prefeito Luciano Cartaxo (PV) nega-lhes o direito de moradia e saúde, mas os mantém sob vigilância da Guarda Municipal, causando a sensação de opressão.

“Eles ficam aqui achando que a gente vai quebrar ou levar alguma coisa. Assim que a gente chegou, a prefeitura cortou a água da praça. Foi quando veio uma representante da Advocacia-Geral da União e pediu para a prefeitura ligar a nossa água. Ela também disse que vai entrar com uma ação pedindo indenização para as pessoas que perderam os móveis”, explicou Denise Pereira, uma das despejadas do residencial.

Para o vereador e líder da oposição na Câmara de João Pessoa, Leo Bezerra (PSB), o modelo de gestão do prefeito Luciano Cartaxo (PV) é baseado no abandono daqueles que mais precisam da Prefeitura de João Pessoa.

“Eu apenas lamento como essas pessoas estão sendo tratadas. Para o prefeito de João Pessoa, parece que elas não são gente. Esse é o retrato da negligência que a PMJP recorrentemente faz em qualquer área da gestão. Chegou a hora do prefeito deixar um pouco de lado a campanha do seu irmão e cuidar mais das pessoas e da cidade”, observou o parlamentar socialista.

Esta já é a quarta semana consecutiva que 137 crianças e 45 adolescentes dormem ao relento. De acordo com Denise, além do local inadequado para sobrevivência digna, eles estão desenvolvendo problemas que podem ser irreversíveis para a saúde mental. “Tem muita criança que está com transtorno do pânico. Eles não conseguem dormir, ficam chorando a noite todinha. Veem bichos”, relatou.

De acordo com ela, ali não existe tranquilidade para descansar. As pessoas que estão vivendo na Praça da Juventude se revezam em turnos para poder dormir e para garantir um sono aquecido. “Aqui tem que ficar vigia à noite. As crianças, com as mães, dormem e os homens ficam acordados, por que aqui é livre, qualquer pessoa entra. A gente fica com medo também. Aqui é aberto, faz muito frio e as crianças acabam ficando doentes. A gente tenta fazer o máximo para aquecer as crianças, principalmente à noite”, detalhou Denise.

Comida doada

As refeições são feitas no vestiário da Praça. O fogão doado pelo Movimento de Mulheres divide espaço com o banheiro coletivo. As refeições são servidas em bacias plásticas, tipicamente usadas para lavar roupas. Em fileira, cada um pega o seu prato de comida. “Aqui fazemos um almoço comunitário, com as doações da população que mora próximo. As pessoas que veem na televisão se sensibilizam com a situação da gente e vêm nos ajudar”, explicou Janecléia Araújo, também despejada do Residencial Vista Verde.

Roberto Mendes, um dos homens que convivem a mesma realidade de Denise e Janecleia, afirmou que, afora a presença da Guarda Municipal durante o dia na praças, o único auxílio da Prefeitura de João Pessoa foi um atendimento médico feito pela Unidade de Saúde da Família (USF) mais próxima.

“Eles só passaram 20 minutos atendendo a gente aqui. Vinte minutos para atender 90 famílias. Desde então, não teve nenhum auxílio da prefeitura. Eles até agora não entraram em contato com a gente. Teve uma reunião com a secretária de Habitação, Sachenka Bandeira. Ela disse que a gente não tinha direito a casa, que só 15 das mais de 200 famílias iriam ser contempladas. Até hoje nós estamos aguardando. Dizem que tem critérios, que sempre deixam em off. Parece até que é segredo de Estado”, afirmou.

E diante da extrema vulnerabilidade social a que são expostos, Roberto não segurou o desabafo diante da inércia da gestão do prefeito Luciano Cartaxo. “Me sinto excluído da sociedade. Somos seres humanos também, devemos ter um padrão de vida melhor. Ao menos uma moradia para que a gente possa morar”, disse.

Ministério Público aciona e responsabiliza PMJP

O Ministério Público da Paraíba ajuizou uma ação civil pública contra a Prefeitura de João Pessoa, no dia 25 de julho, citando o prefeito Luciano Cartaxo, para que o Município seja obrigado a promover o imediato abrigamento de 239 famílias que foram despejadas do Condomínio Vista Verde I e II, no Bairro das Indústrias, na Capital, em decorrência de ação de reintegração de posse. A Promotoria de Justiça de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente da Capital quer resguardar, em caráter de urgência, a vida, a saúde, a educação e a convivência sócio-familiar, principalmente, das 137 crianças e dos 45 adolescentes que estão ao relento.

 

 

 

 

 

 

 

 

Fontes: REDAÇÃO