Há um ditado popular que diz que “em time que está vencendo não se mexe.”

No futebol isso é possível. Na política não. Na vida pública mandatos têm prazo determinado. Ou seja: têm início e fim.

Depois de 8 anos a frente do executivo paraibano, Ricardo Coutinho (PSB) sai de cena mas deixa o recado: nem todos calçam 40! Em outras palavras, o quase ex-governador socialista fez e faz diferente de todos que já ocuparam a cadeira principal do Palácio da Redenção.

Esse diferencial, aliás, é que o projetou nacionalmente como um dos mais populares governantes do Brasil. Após dois mandatos consecutivos (2011-2014 / 2015-2018) Ricardo Coutinho conclui sua 2ª. gestão com algo próximo a 80% de aprovação. Isso, com certeza, deve ter contribuído muito para a eleição do seu sucessor, João Azevedo (PSB).

Mas se na política não há como não mexer no time que está vencendo por conta da questão temporal dos mandatos, nada impede que se mantenha a tática vitoriosa. Afinal, foi ela que fez as gestões socialistas de Ricardo vencedoras.

E nada há de complicado nessa tática que não se consiga absorver: seriedade no trato da coisa pública (legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência) como apregoa o art. 37 da nossa CF; visão holística da sociedade paraibana; ativismo popular na relação governo-sociedade e, acima de tudo, compromisso.

Foi escorado nessas premissas que hoje RC pode olhar para trás e dizer que valeu a pena.

Valeu a pena não se entregar aos aplausos fáceis e a popularidade momentânea de soluções simplistas para problemas complexos. Eles foram resolvidos a cabo e ao tempo certo, sem se atropelar etapas legais e éticas que às vezes até rendem popularidade, mas que só douram a pílula de um problema que voltará a aparecer mais tarde, maior e mais complicado.

Valeu a pena colocar o povo paraibano como protagonista de sua história através do Orçamento Democrático. Hoje a Paraíba tem obras em toda sua extensão e muitas ainda por ser inauguradas, fruto da participação popular proporcionada pelo OD.

Valeu a pena cada não às inevitáveis solicitações de cunho pessoal: pagamentos em dia, hospitais, adutoras, escolas, teatros, sistemas de abastecimento d´água, estradas… e tantas outras obras e ações de alcance social são filhas da prevalência do coletivo ao particular.

Ricardo sai; suas idéias ficam no imaginário popular!